• O INTESTINO, O 2º CÉREBRO

     

    "A relação entre o cérebro e o intestino está na origem de muitos problemas, físicos e psíquicos. Doenças como a ansiedade, a depressão, síndrome do intestino irritável, úlceras e sintomas da doença de Parkinson manifestam-se ao nível do cérebro e do intestino”. 
    Fonte: The New York Times, 11 de outubro de 2011 

    Michael D. Gershon, neurobiologista, professor e presidente do Departamento de Anatomia e Biologia Celular da Universidade de Columbia (EUA) designa o intestino como o 2 º cérebro e evidencia no seu livro o “Segundo Cérebro”, a importância que o intestino tem na prevenção do cancro e outras doenças, seja direta ou indiretamente relacionadas com ele. O nosso trato gastrointestinal possui uma enorme quantidade de células nervosas que constituem o sistema nervoso entérico (ou seja, o sistema nervoso do intestino) e estas células utilizam grande parte dos mesmos neurotransmissores que utilizamos no cérebro.

    Durante a embriogénese (formação do embrião), pelo mesmo folículo embrionário é formado o cérebro e o intestino e todos os neurotransmissores que sintetizamos no cérebro, sintetizamos no intestino.

  • EFEITOS DA FLORA INTESTINAL SOBRE O COMPORTAMENTO

    A flora intestinal que existe no trato gastrointestinal tem revelado um importante papel quer no desenvolvimento do cérebro, quer no comportamento. 

         Alguns microrganismos têm ainda revelado um papel importante em situações como enxaquecas, ansiedade, depressão ou mesmo no autismo. 

         Aparentemente estes microrganismos são capazes de modular o desenvolvimento de algumas estruturas do cérebro  desde a 1ª infância e são ainda capazes de produzir diferentes compostos, que quando absorvidos, podem atuar no nosso      cérebro influenciando o nosso comportamento. 

  • A DEPRESSÃO E A OBSTIPAÇÃO ESTÃO SEMPRE ASSOCIADAS

    Diferentes estudos têm demonstrado a relação entre a presença de uma inflamação crónica, alterações de humor e a depressão.

    Quem tem uma doença crónica inflamatória pode estar deprimido por causa desses mediadores inflamatórios e não apenas por motivos psicológicos ou nutricionais.

    Cerca de 80% da serotonina está presente no intestino, é por essa razão que a depressão e a obstipação estão sempre associadas.

    Esta é uma área de estudo em plena expansão e muito em breve o nosso nível de conhecimento sobre a relação intestino-cérebro será bem maior.

  • GRANDE PARTE DA IMUNIDADE ESTÁ NO INTESTINO

    As últimas pesquisas demonstram que 40 hormonas e 20 neurotransmissores são secretados pelo cérebro e intestino simultaneamente e que 80% da nossa imunidade está presente neste orgão. 

  • A RELAÇÃO DO INTESTINO COM A OBESIDADE

    Nesta área inovadora de investigação tem-se estudado o papel da flora intestinal em doenças como a obesidade, com resultados muito interessantes, pois a presença de determinadas bactérias no trato gastrointestinal está associada à obesidade. 

  • IMPACTO DOS HÁBITOS ALIMENTARES NOS INTESTINOS E NA SAÚDE

    Devido a desequilíbrio nos hábitos alimentares e estilos de vida, o intestino está submetido a um stress permanente, por um lado, devido ao excesso de alimentos com baixo teor em fibras vegetais, por outro lado, pelo aumento da ingestão de açúcares, gorduras saturadas, aditivos químicos, conservantes, etc.

    Também a rápida ingestão e reduzida mastigação dos alimentos, assim como a ausência de exercício físico regular, favorecem os transtornos intestinais e digestivos.

    A manifestação mais frequente é a prisão de ventre ou a flatulência, uma sensação de pressão e peso no corpo e zona abdominal.

    As substâncias residuais que deveriam ser eliminadas e que permanecem um tempo excessivo no sistema digestivo, têm uma forte tendência para fermentarem ou entrar em decomposição. Em ambos os casos a consequência é uma rápida proliferação de bactérias nocivas que inevitavelmente, devido à reabsorção irão produzir autointoxicação, dando origem a numerosas doenças.

  • MOVIMENTO NATURAL DOS INTESTINOS NECESSÁRIO À SAÚDE

    Os intestinos são constituídos por vilosidades (projeções semelhantes a finos dedos), microvilosidades e válvulas coniventes (ondulações semelhantes a um leque), que aumentam em mil vezes a área de absorção da mucosa intestinal (área total de 250m quadrados), mas esta combinação de pregas, microvilosidades e projeções também constituem áreas de aderência do bolo fecal e ao contrário do que pensamos, não são eliminados automaticamente durante o processo de evacuação.

    A aderência do bolo fecal nas paredes do intestino, com a consequente secagem, o acúmulo de gases e mucos, acaba por condicionar o movimento natural dos intestinos.